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O TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é um dos transtornos neuropsiquiátricos mais conhecidos na infância. Devido à baixa concentração de dopamina e/ou noradrenalina em regiões sinápticas do lobo frontal, leva o indivíduo a uma tríade sintomatológica de falta de atenção, hiperatividade e impulsividade, ocasionando sérias dificuldades para o processo de aprendizagem.

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Falta de atenção, para o caso da criança portadora de TDAH significa excesso de mobilidade na atenção, ou seja, hipermobilidade, que é quando o indivíduo não consegue manter, por algum tempo, sua atenção em um mesmo objeto, em um mesmo foco. É a atenção espontânea que predomina. Hiperatividade significa um aumento da atividade motora, deixando a mesma quase constantemente em movimento.

As definições da palavra impulsividade – força que impele estímulo, abalo, ímpeto, impulsão – ajudam a compreender a maneira pela qual o indivíduo portador do TDAH reage diante do mundo. Pequenas coisas podem despertar-lhes grandes emoções e a força dessas emoções gera o combustível de suas ações.

Estudos cada vez mais aprofundados e específicos sobre o TDAH desvendam novas técnicas de enfrentamento para esta problemática, novos recursos psicoterapêuticos e medicamentosos, com a finalidade de que haja uma diminuição da interferência que os sintomas do TDAH causam na vida da pessoa, fazendo com que esta consiga aumentar a concentração e controlar a hiperatividade e a impulsividade.

Recursos estes se tornam especialmente necessários para as crianças do período pré-escolar e ensino fundamental, onde a desatenção e a impulsividade comprometem além do processo de aprendizagem, os relacionamentos e a autoestima.

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A falta de informação, conhecimento e compreensão que envolve o processo escolar são grandes obstáculos que a criança enfrenta neste período juntamente com as características do transtorno, fazendo com que professores colegas e pais considerem o comportamento desta criança como sendo rebelde e desinteressado, tendo para com ela um tratamento preconceituoso.

Uma pesquisa de mestrado realizada na Universidade Federal de Goiás revelou o perfil epidemiológico dos transtornos psiquiátricos de crianças e adolescentes internados em um hospital de referência em Goiânia.

O estudo analisou prontuários de 1.318 pacientes menores de 18 anos e indicou que o Transtorno Bipolar é o diagnóstico mais comum, com um total de 35,4% dos pesquisados. A maioria dos pacientes com transtorno bipolar, transtorno relacionado a abuso de substâncias e transtorno mental orgânico eram homens; e em relação a transtorno depressivo e transtorno dissociativo, houve maioria feminina.

Em relação à faixa etária, houve predominância do transtorno bipolar e transtorno relacionado a abuso de substâncias na faixa etária de 15 a 18 anos. Os problemas como transtorno mental orgânico e TDAH são predominantes na faixa de 10 a 14 anos.

Comorbidades apresentadas nos pacientes

De acordo com o estudo, comorbidades estiveram presentes em 46,2% dos voluntários pesquisados. Os transtornos disruptivos, caracterizados por comportamentos de transgressão de regras, comportamentos desafiadores e antissociais, registram 9,1% dos casos. A hiperatividade e o déficit de atenção também apresentam relativa importância, com 8,5% dos casos.

Dentre sintomas e síndromes descritos em prontuários, a Síndrome Psicótica foi a mais relatada (31%). Caracterizada por uma combinação de comportamento hiperativo e desatenção, além da falta de envolvimento persistente nas tarefas, a Síndrome Hipercinética (30,2%) vem em seguida, acompanhada da Síndrome Orgânica, Depressiva e Ansiosa. A menos relatada é a Síndrome Distímica, uma forma mais branda, contudo crônica, de depressão que, em crianças e adolescentes, chega a durar um ano. O diagnóstico da distimia costuma ser de difícil solução, já que pode ser confundido com outros problemas.

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A importância de maior atenção aos adolescentes

Este tema afeta diretamente a saúde pública, já que é comum o aparecimento de doenças que, geralmente, acometem o adulto, ainda na adolescência. Entre adultos que apresentam quadros de doença psiquiátrica, 73,9% já desenvolveram o transtorno antes dos 18 anos e 50% antes dos 15 anos de idade. Graves consequências sociais e de saúde pública estão emergindo desse fato, sendo o suicídio a terceira causa de morte entre adolescentes.

No estudo, o transtorno relacionado ao abuso de substâncias é demonstrado como grave problema de saúde pública, com alta frequência como diagnóstico principal e comorbidade. Além disso, esta espécie se associa aos transtornos disruptivos e aos transtornos bipolares, o que exige muita atenção de familiares e equipe médica.

Novas tecnologias para o diagnóstico

Uma nova possibilidade para melhorar o diagnóstico de adolescentes que possam ter esquizofrenia foi apresentada na revista “Schizophrenia”, editada pela “Nature”: por meio da análise da fala dos pacientes, realizada a partir do uso de algoritmos para mensurar padrões.

A técnica está sendo desenvolvida por pesquisadores do Instituto do Cérebro, em Natal. A partir da definição de um índice de fragmentação, seria possível prever com mais rigor qual a situação do paciente. Uma das ideias é analisar as desordens do pensamento manifestadas na fala.

Sabemos que existe certa dificuldade em diferenciar a esquizofrenia de transtorno bipolar ou de comportamento. Com esta metodologia, pode haver uma melhora no diagnóstico, na ordem de 91,67%. De acordo com os cientistas, em dois relatos de 30 segundos já seria possível analisar a fala e perceber, através da transcrição, se o jovem tem ou não esquizofrenia.

A melhora no diagnóstico é importante para evitar que o paciente deixe de ser atendido de forma correta, com um processo terapêutico adequado.

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